A recente reportagem da Revista Saúde, do Valor Econômico, evidencia que o equilíbrio financeiro continua sendo um dos maiores desafios do setor. Mas será que apenas mais recursos serão suficientes para garantir a sustentabilidade da saúde brasileira?
Durante anos, as discussões sobre a sustentabilidade da saúde brasileira giraram em torno de um mesmo tema: como financiar um sistema cada vez mais pressionado pelo envelhecimento da população, pelo aumento dos custos assistenciais e pela incorporação de novas tecnologias.
Entretanto, talvez a principal reflexão seja outra. Mais do que discutir novas fontes de financiamento, o país começa a perceber que a sustentabilidade do sistema também depende da sua capacidade de inovar, desenvolver tecnologia e fortalecer a produção nacional em saúde.
O financiamento continua importante. Mas já não basta.
Buscar o equilíbrio financeiro continuará sendo indispensável para o SUS e para a saúde suplementar. No entanto, reduzir esse desafio apenas à disponibilidade de recursos parece simplificar uma questão muito mais ampla.
Um sistema sustentável também precisa investir em pesquisa, inovação, infraestrutura e desenvolvimento tecnológico.
Isso significa criar condições para que novas soluções sejam desenvolvidas, produzidas e incorporadas de forma eficiente, reduzindo dependências externas e fortalecendo todo o ecossistema da saúde.
Alguns movimentos já apontam essa direção
Nos últimos meses, diferentes iniciativas têm demonstrado que essa agenda começa a ganhar espaço.
Entre elas, destacam-se os investimentos anunciados pelo Governo do Estado de São Paulo para fortalecer a rede pública de saúde, a criação de um novo polo de inovação do Instituto Butantan e o plano apresentado na Fiesp para ampliar a capacidade nacional de produção de dispositivos médicos destinados ao SUS.
Embora possuam objetivos distintos, essas iniciativas compartilham um mesmo propósito: ampliar a capacidade de inovação e fortalecer a indústria da saúde brasileira.
Mais do que investir em hospitais ou equipamentos, trata-se de investir na capacidade do país de desenvolver suas próprias soluções.
Onde entra o Direito nesse cenário?
Toda inovação depende de um ambiente capaz de oferecer segurança para quem investe.
Isso envolve estabilidade regulatória, previsibilidade das regras, governança e segurança jurídica.
Sem esses elementos, investimentos em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e produção nacional tendem a perder competitividade ou simplesmente deixam de acontecer.
Por isso, o debate sobre inovação em saúde também passa pela atuação das instituições, dos órgãos reguladores e pela construção de um ambiente favorável ao desenvolvimento do setor.
Uma mudança de perspectiva
Durante muito tempo, discutimos como financiar a saúde. Talvez a próxima década seja marcada por uma pergunta diferente.
Como transformar investimento em inovação?
E, principalmente, como transformar inovação em acesso sustentável para milhões de brasileiros?
A reportagem do Valor Econômico mostra que esse movimento já começou.
As iniciativas recentes observadas em São Paulo reforçam essa percepção e indicam que inovação, produção nacional e segurança jurídica tendem a ocupar um espaço cada vez mais relevante nas discussões sobre o futuro da saúde.
Mais do que ampliar recursos, o desafio passa a ser construir um ambiente capaz de transformar conhecimento em tecnologia, tecnologia em produção e produção em um sistema de saúde mais eficiente, sustentável e preparado para os próximos anos.